Actualizei o «blog» chamado «O Mundo das Sombras» com informações sobre o agente secreto português «Tomé», de seu nome Manoel Mesquita dos Santos. Infiltrado pelos alemães em Moçambique, em 1942 foi capturado, interrogado no Campo 020 e condenado a prisão, na qual permaneceu até ao fim da Guerra. Tivesse eu tempo para mais...
31.3.06
30.3.06
Em caso de terramotos!
Há na Embaixada do Canadá alguém com uma refinada inteligência diplomática: para se justificarem quanto ao facto de andarem a fazer um recenseamento dos canadianos [ou será canadenses que se diz?] que por aí andam, justificam-se que é só para o caso de terem de os prevenir, no caso de um terramoto. Perante isto e o que isto pode significar de espalhar a confusão e o terror junto da população de um país estrangeiro, espera-se o comentário de Freitas do Amaral. Acho que, no mínimo, seria justo convocá-los para aquilo que se chamam as Necessidades, a sede do MNE, quero eu dizer.
29.3.06
Muito exemplo e poucos exemplares
Visto os exemplares que se vendem, a glória de vir no jornal é de uma menoridade comovente. 48 mil compram e nem todos lêem o jornal «Público», 33 mil o «Diário de Notícias». O falecido Nunes, por exemplo, morre sem que a sua necrologia paga seja vista por muitos dos que no seu próprio bairro compraram a imprensa que a editou. O político da grande entrevista, a associação em crise de causas, a menina Ifigénia que foi assaltada no metro, todos, sem saberem coitados, falam para o boneco. São só exemplos, mas de casos exemplares. O José, da Grande Loja [a do queijo], esse diz a coisa se explica por uma «descredibilização generalizada», forma de dizer que as pessoas não lêem pois não acreditam. Por mim talvez nem seja isso. Vejam os jornais desportivos: as pessoas só acreditam no gooooolo que viram, mas vejam-nos ávidos a lerem no dia seguinte, linha a linha, o golo contado e recontado mesmo pelas mil maneiras que há de o transformar em frango. Eu, permitam-me que arrisque uma opinião, acho que as pessoas não lêem só por uma razão: preferem ver na TV. Ali há uma vantagem, a notícia passa mais depressa e vai-se embora num instante. Além disso, pode-se ir lavando a loiça, gritar com os miúdos ou cortar as unhas dos pés.
Fizeram «fufú» ao Alcaraz!
Há um site na Net que permite visualizar as primeiras páginas dos jornais. Tentei Portugal e saíu-me em Lisboa «O Público» e quanto ao Porto «O Jornal de Notícias», de Madrid veio-me o «El Mundo».Mas o mais interessante é o jornal «Primera Hora» que se publica em Guaynabo, Puerto Rico, e que titula, em manchete, a garrafais de primeira página, que fizeram um «fufú» a Alcaraz. Lendo com mais atenção chega-se à conclusão que o Alcaraz é o Secretário do Governo para os Transportes, que foi vítima de bruxaria, pois puseram-lhe à porta uma cabeça de leitão «com viandas». Ilustra a notícia uma foto da cabeça, a do Acaraz claro, a alegada vítima do dito «fufú». Perante esta notícia e o que ela simboliza de tantas coisas cruciais que os jornais relatam e uma pessoa não sabe, desisto! Vou passar a ler o «Borda d' Água»! Acho que ainda só há a edição em papel. Ajuda o hortelão e anuncia os mercados locais. De quando em vez traz uma inocente anedota, daquelas que fazem rir.
26.3.06
Papás ao ataque, cesarianas à defesa
A propósito de uma notícia que intitula «Mais de 10 mil cesarianas desnecessárias em 2004», o Diário de Notícias cita Luís Mendes da Graça, presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos a dizer o seguinte: «em primeiro lugar, explica o especialista, o aumento do número de cesarianas em Portugal ficar-se-á a dever ao facto de "haver cada vez mais processos em tribunal de mães descontentes com o parto". O acto cirúrgico inscreve-se assim numa "estratégia defensiva dos obstetras, que é legítima", considera o responsável da Ordem dos Médicos». Ora aí está. Imagina-se no subconciente dos médicos parteiros a cena quotidiana: cada mamã que lhes entra pela frente, as contracções a aumentarem de ritmo, a bolsa das águas em vias de rasgar, a respiração ofegante e um ranger de dentes entre a dor e o medo, é para eles, a visão de um processo judicial à vista. Não é uma parturiente que aparece, encapsulada numa higiénica bata branca, é um causídico que lhes surge, envolto numa sinistra toga negra, não é a beleza de uma vida a nascer é a fealdade de um processo a instaurar-se. Na sala de espera, fumando nervoso, o paizinho sonha com o valor da causa e arrola testemunhas. Lá dentro, ao gabinete de enfermagem sucede o gabinete jurídico, às compressas e aos fórceps, o Código Civil mais a Colectânea de Jurisprudência. Defensivamente, por isso, não vá saltar de lá mais uma acção em tribunal, vai de cesariana. Quando o nângero solta o primeiro vagido, o clínico sente-se notificado pelo meirinho. Ao tomar-lhe o peso e as medidas, ainda o nascido babado da placenta, já o médico calcula quanto aquilo vale em termos de indemnização. Ao lavar as mãos, esgotado de um dia de trabalho, a equipe médica em vias de ser rendida, já pediu uma chamada para a companhia de seguros, pois coitaditos deles, cada dia de trabalhos de parto custa-lhes um dinheirão. Entretanto na casa em frente, em cada palheiro e em cada barraca, em cada condomínio de luxo, todas as noites e a todas as horas, casais legítimos, unidos de facto e parzinhos de ocasião fornicam à doida, fabricando mais processos, mais acções, mais indemnizações. Nove meses depois lá entram mais uns tantos em tribunal! Pobre Ministério da Saúde, desgraçado Ministério da Justiça. Leio o DN, é domingo de manhã, lá fora cantam os passarinhos, e imagino, angustiado como cidadão, preocupado como contribuinte, uma solução de emergência para isto tudo. Segunda feira, por decreto, o Governo ordena e a Imprensa Nacional publica a seguinte norma: artigo primeiro, é proibido f... para procriar, artigo segundo é reforçada a dotação do orçamento do ministério da Saúde na conta provisão para encargos suplementares com o montante necessário para fazer face a indemnizações com f... pendentes cujo efeito seja a gestação».
Os ladrões do tempo
Disseram-me ontem que durante a noite, por ordem do Governo, mudava a hora .E eu, nissso demonstrando a minha falta de inteligência, tenho sempre de fazer um grande esfoço para compreender. Todas as vezes é sempre o mesmo. Depois lá entendo o que vai ser com o «então amanhã quando forem sete já são oito». Mesmo assim, fica-me sempre uma íntima hesitação e a suspeita de que mais do que uma hora de sono, me roubaram uma hora de vida. E depois não querem que um tipo ande revoltado, se até o pouco tempo que nos resta o Governo nos rouba?
25.3.06
Só uma pontinha
José Sócrates disse que Marques Mendes tem «uma pontinha de ciúme» do Governo, que é o dele. A frase, creio eu, é duplamente significativa e duplamente equívoca. Dizer de um homem de pequena estatura que tem «pontinha», pode não ser amável, dizer de um outro que tem dele ciúme, pode não ser o mais apropriado.
24.3.06
Uma vida de tartaruga
Ao ter lido na imprensa que morreu, com 250 anos, a tartaruga mais velha do mundo, lembrei-me daquela do Oliveira Salazar que recusou a oferta de um tal animal, ainda muito pequenino, com base no argumento: «sabe, é que depois, uma pessoa afeiçoa-se aos bichos e custa-lhes quando eles morrem!». Passa-se o mesmo comigo! Talvez por amanhã fazer anos, fico com a ideia de que me está a custar morrer. É que, sabem, uma pessoa às vezes afeiçoa-se à vida e depois custa-lhe falecer!
A golpe de malhete!
A Grande Loja Nacional Portuguesa é uma das obediências maçónicas que agora existem, ao lado da Grande Loja Regular de Portugal, a Grande Loja Legal de Portugal, e do velhinho Grande Oriente Lusitano e outras que nem eu sei. Segundo diz a imprensa que vejo esta madrugada, vai abrir em Congresso «para desmistificar a Ordem e transmitir os seus valores de cidadania». Pois bem. Se estamos mesmo numa de «desmistificar», talvez não seja inoportuno inscrever na agenda um tema: segundo a clássica definição, emanada das Constituições de Anderson, de 1723, a Maçonaria é uma sociedade iniciática de homens «livres e de bons costumes». Ora aí está um belo momento, para inventariando todos os obreiros que da pedreiragem se reclamam, definir o que sejam os ditos «bons costumes». Talvez se desmitificasse, enfim, muita coisa! Muitas coisa mesmo!
23.3.06
Portugueses refugiados!
Portugueses distintos, eméritos, notáveis, portugueses emigrados. Portugueses que foram e são alguém. fora de Portugal, estão aqui. Repito o que li: nós não somos os descendentes dos que foram à Índia, mas sim dos que cá ficaram.
Orgulho de pai
Com uma diversificada actividade na blogo-esfera e outra menos variada em outras esferas, é só para lembrar que actualizei «O Mundo das Sombras» com um texto que nem sei como consegui escrever e que a gentileza da revista «Mea Libra», que acaba se ser divulgada na sua última edição, permitiu viesse à luz do dia. Talvez quem isto leia pense que é vaidade minha vir aqui dizê-lo. Confesso-o: é-o de facto. Um pai orgulha-se dos seus filhos, ainda que sejam de um mundo em papel. Ah! O texto é sobre o escritor Graham Greene, a sua vida secreta, a sua ligação aos serviços secretos. Talvez um dia dê um livro, quem sabe!
Notícias, frescas e molhadas
O conceito quotidiano de «notícias» é equivalente àquilo que se sabe ou, melhor dizendo, àquilo que a uns consta, ou melhor ainda, àquilo que dizem constar, ou para se ser mais exacto, àquilo em que se repara que eles disseram que lhes constava. Claro que, no meio disto tudo, há aquilo que sucedeu. Mas no fragor deste torvelinho, essa realidade inatingível é aquilo que menos interessa. Hoje, por exemplo, quem me visse a correr, diria que a notícia era eu andar a fugir da própria sombra. A única diferença entre isso e o real é só o não estar sol mas uma carga de água, e o ter-me esquecido do guarda-chuva.Por isso, ante tal «notícia», um lauto comentador, daqueles que pomposamente se intitulam de «opinion makers», perguntar-se-ia especulativa e doutamente «o que faz correr Barreiros?». O magro repórter, dos que aguentam horas a fio por um momento da vida que alegre os editores, diria, sem eco algum na redacção: «o estar alagado até aos ossos», verdade que estragava logo o interesse do assunto.
22.3.06
Cobranças duvidosa
Acordo pela manhã e leio: «o total de crédito bancário com cobrança duvidosa a particulares no final de Janeiro ascende a 2,08 mil milhões de euros, o máximo de pelo menos cinco anos». Mas a notícia continua: «A finalidade «habitação» leva cerca de 80% do total emprestado». Eis os modernos servos da gleba, amarrrados à grilheta do imóvel, serventuários do imobiliário, suportando a corveia bancária. Ei-los, jovens casais adquirindo o que sonham ser a casa sua, o lar do seu parceiro, o ninho dos seus filhos, ei-los solitários convictos, conformados divorciados, resignados viúvos, ei-los todos, hipotecados ao último refúgio, o covil do remanescente que a vida lhes dá. A vinte e cinco, a trinta anos de servidão adscrita, pelo juro anatocista escravizados, ei-los inscritos na rubrica da cobrança duvidosa, um número, um momento das estatísticas, uma vergonha de vida e um escândalo de sociedade. Eis o mundo em que nos cabe viver, o da usura e do calote.
21.3.06
Egoísmo partidário
Li esta manhã que o antropólogo Miguel Vale de Almeida, um dos rostos mais conhecidos do Bloco de Esquerda, abandonou a vida partidária, numa atitude, segundo o próprio, quase «egoísta». Todos os dias nos surpreendemos. Eu estava convencido que uma pessoa hoje se inscrevia num partido precisamente por uma razão egoísta, quando afinal também por causa disso é que de um partido se sai.
20.3.06
Viver só do ordenado...
Quando uma presidente de Câmara garante em «tribunal viver apenas do ordenado de autarca e de uma pensão, sustentando assim não ter meios para pagar a multa de 12.500 euros a que fora condenada por difamação», pode não estar a difamar todos os outros que, vivendo na aparência apenas do ordenado de autarca, fazem a vida que se lhes conhece: é que, nolens volens, pode estar mesmo a querer a dizer a verdade, toda a verdade, aquela que muitos fingem não querer ver.
19.3.06
Uma grande lata
Porque é que alguém que pretende passar por sério, honesto e exemplar convida, nomeia ou se rodeia de alguém cuja fortuna rápida nem o próprio consegue explicar, e de quem se murmura o pior, da honorabilidade à respeitabilidade? Porque é que eu, ridículo nesta pergunta e ingénuo no que ela supõe, ainda perco tempo com isto? Com o que há de importante na vida, basta-me o consolo de não os convidar para minha casa, onde, aliás, quase ninguém entra. Não é que me fanassem o faqueiro de prata, que não tenho, é porque poderiam tentar vender-me um, em lata, como se de prata fora. Vendê-lo, depois de o terem gamado, não duvido.
17.3.06
Conselho de Estado: o ponto final
Devorado pelo trabalho, soube apenas hoje os nomes dos novos membros do Conselho de Estado. Fiquei totalmente esclarecido, se dúvidas tivesse, se ilusões me restassem. Não é nada que eu já não pressentisse, acreditava é que não fosse possível ir-se a tal ponto. E por falar em ponto, para mim, é mesmo ponto final.
O prenúncio
Capital do chique burguês, a desordem nas ruas em Paris prenuncia sempre o fim de uma estação política. Claro que mal governada agora por políticos de segunda ordem, povoada cada vez mais por emigrantes de países de terceira classe, à mercê dos párias e dos desesperados, a França treme. Os estudantes estão na rua e com eles o rastilho. A polícia sabe que estão todos em cima de um barril de pólvora. Os seus filhos e os filhos dos seus patrões misturam-se, raivosos e incendiários.
14.3.06
Privatização, oh! Diabo...
Assumindo uma perspectiva teológica e não marxista, o dirigente dos comunistas portugueses disse que «a 'diabolização' da administração pública a que temos vindo a assistir, responsabilizando-a por tudo o que de mal existe em Portugal", visa "criar no País um clima propício à liberalização" de serviços, designadamente, de educação e de saúde, e ao "corte de direitos e regalias dos seus trabalhadores"». Penso que Jerónimo de Sousa está inspirado no último livro de José Saramago «As intermetitências da morte» quando ironiza que no dia em que as pessoas deixam de morrer a Igreja perde a sua razão de ser. No caso do prémio Nobel, a ideia é que por causa do medo do Inferno, os crentes professam uma religião, na ânsia do céu. No caso de José Sócrates, a ideia é que, com medo dos diabos dos funcionários, os contribuintes preferem os profetas da privatização. Entre uma opção e outra, venha o Diabo e escolha!
12.3.06
A tasca dos doutores
«Eu sou o único comentador isento em Portugal». Quem o dissse foi o Miguel Sousa Tavares que tem, de herança paterna, aquela virtude da modéstia e uma total ausência de auto-convencimento. Tal como o Vasco Pulido Valente, é dos que não estão irremediavelmente convictos de terem a verdade na barriga. Tal como os da sua laia, têem uma multidão de espectadores e ouvintes. Nada como um povo de labregos para se embasbacar perante os doutores. Em cada tasca há sempre um, à sua escala: escorropichando copinhos, botam faladura!
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