6.9.06

Aprende a nadar companheiro

«Ontem à noite foi inaugurado o 22º casino de Macau», escreve-me, contristado, um amigo, ali residente. Quando por lá andei à volta dos poucos casinos, pululavam, quais abutres, casas de penhores. Havia quem deixasse no «prego» o bilhete de regresso a Hong-Kong. Hoje devem regressar a nado.

5.9.06

A lei do lucro

Eu, ao contrário do que possa parecer, não sei nada de futebol e sei pouco de Direito. Trouxeram-me há pouco o «Correio da Manhã» para eu ler um artigo do jornalista Rui Cartaxana onde se diz a abrir que «os juristas é que fazem as leis - a maior parte dos deputados e dos políticos, os nossos legisladores, são licenciados em Direito - e fazem-nas sempre a pensar em si próprios e no seu futuro. As leis devem ser ambíguas, permitirem diversas interpretações, abrir leituras para vários lados, de modo a que, algum dia, possam tirar partido delas e, quem sabe, ganhar dinheiro». Nunca vi uma acusação tão grave sobre os nossos legisladores e acho que nunca verei qualquer réplica a este repto. Não que o assunto da ambiguidade das leis não mereça discussão. O problema é saber se há quem perca com a discussão, nem que seja a cabeça.

4.9.06

Os empregados e os ociosos

Há um português adora exprimir-se por meias-palavras, e dizer as coisas graves a meia-voz. É o português que vive a vida social como uma sacristia beata e o exercício da opinião como uma variante do confessionário. Vem isto a propósito dos desempregados.
Veja-se esta notícia: «No primeiro semestre do ano chegaram ao Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) perto de nove mil propostas de emprego para os desempregados ali inscritos. Segundo a edição de hoje do Jornal de Notícias, apenas 4.700 dessas vagas foram preenchidas por pessoas à procura de emprego (...) Perto de 4.200 postos de trabalho ficaram por preencher, apesar do total de desempregados inscritos no instituto rondar os 460 mil».
Ante isto uma pessoa pergunta-se: mas será que o desempregados não querem trabalhar?
Eis um porta-voz oficial a exprimir-se:
Além da falta de aceitação das propostas de trabalho feitas pelo IEFP, verifica-se ainda o o problema da falta de comparência dos utentes às convocatórias do instituto. Entre Janeiro e Outubro do ano passado 100 mil pessoas não compareceram no IEFP ou, se compareceram, não foram depois apresentar-se às empresas proponentes ou não aceitaram o posto, refere o jornal.
O presidente do instituto, Francisco Madelino, assume que «ter metade das ofertas (preenchidas) não satisfaz». Em entrevista ao JN, o responsável enumera cinco motivos: «primeiro, um desajustamento entre as qualificações dos trabalhadores e o que as empresas desejam; depois, vêm parar aos centros de emprego muitas ofertas com remunerações muito baixas; há também diferenças de expectativas entre os mais jovens e a realidade do tecido produtivo, cujas ofertas não são condizentes com as expectativas das pessoas; também há problemas de mobilidade geográfica; e, não vamos ignorar, em que a relação com o subsídio de desemprego não joga a favor».
É notável. O que este senhor Madelino quer dizer com esta do «a relação com o subsídio de desemprego não joga a favor» ´é seguramente que há uma cambada de parasitas que, vivendo à conta do subsídio de desemprego, não está para se ralar a trabalhar. Só que di-lo assim, melífluo, doce, sussurante e sibilante, politicamente correctíssimo, claro.

3.9.06

Uma curva apertada

O «Diário de Notícias» bem se esforça por ser um jornal de referência, mas depois há coisas como o suplemento de domingo, onde há uma secção sobre saúde na qual existe um «consultório», onde um «professor de saúde pública», responde a uma menina de Vila Real de Santo António que lhe coloca a grave questão «como é que posso saber se o meu namorado se masturba». Pior, é que no «Diário de Notícias», que bem se esforça por ser um jornal de referência o dito professor, no referido consultório, da mencionada secção, responde à elagada menina, dizendo «acho que a melhor maneira é perguntar-lhe directamente, até porque instalar um sistema de vídeo ou contratar um detective é capaz de ser pouco prático, pouco ético e sair um bocado caro». Claro que um tipo lê isto e sente como jurista vontade de avisar a menina que instalar o vídeo é mais do que «pouco ético», é crime, sente ganas, como leitor, de mandar uns berros por escrito, ante esta mediocridade de perguntas e de respostas, e sente, como ser amoroso, vontade de escrever à menina a dizer que, talvez seja melhor ela perguntar-se porque é que o onanista namorado, tendo-a para namorar, se fará tais coisas. Mas se calhar é pouco prático, pouco ético e sair um bocado caro, não vá a menina ofender-se e processar-me. Por isso, cala-te boca. Ah! Só mais uma: a douta resposta termina assim, de modo científico: «se ele ficar roxo ou se a mandar dar uma curva, não se admire...». Já percebi: é capaz de ser uma questão de falta de curvas...

Aguentar!

«Tenho tempo para tudo, porque faz parte das minhas obrigações», diz José Sócrates para justificar que mantenha a liderança do partido e a chefia do Governo. Ele não explica é quais são as obrigações. Mas entende-se. A obrigação de um político é, no pau de sebo que é a política, aguentar-se no poder. Mal lá chega, há logo a chusma dos opositores e dos correlegionários para ao arrearem. Ora Sócrates, esperto, sabe que quem vai ao mar perdeu o lugar, quem vai ao vento perdeu o assento. Então no PS! Por isso agarra-se com unhas e dentes, todo o tempo.

2.9.06

Adeus, Indy

Acabou «O Independente». Quando surgiu, dizia-se que a redacção era metade a Universidade Católica e metade recrutada no «Frágil», uma boîte in da Lisboa nocturna. Azougado, foi um jornal que pôs a malta nova a ler jornais, coisa nunca antes vista ou alguma vez imaginável. A geração do «eu quero o joystick, que se lixe a politik» tinha à sexta-feira a sua rave em tablóide! Aquilo era o «Blitz» em notícias!
Depois, foi aquele estilo fresco e inovador do Miguel Esteves Cardoso, a escrita do paradoxo, o gozo permanente sobre o nosso ridículo quotidiano. Acusado pelos velhos da esquerda de fascista e acusado pelas tias da direita de traidor, antes de se tornar adulto e de ter escrito um livro a dizê-lo, ele deu um ar de frescura a um país tipograficamente envelhecido, descobrindo «a causa das coisas». O Miguel engordou, envelheceu, conformou-se consigo, e acabou.
Apareceu então uma segunda série, com um jovem Paulo Portas, esforçado batalhador, fixado na ideia irrealizável de bater as vendas do «Expresso», o jornal que todos compram, mesmo já sem saber para quê. O cavaquismo no poder e Cunha Rodrigues no anti-poder deram a fórmula do sucesso. Se vinha em «O Independente», estava no DIAP. Se não ainda não estava no DIAP, estava para estar! Um a um, caíam ministros e choviam processos. Nesses tempos gloriosos, passava-se metade do tempo na redacção a outra metade nos tribunais a responder por difamações. Imagino que houve dias em que o jornal foi fechado nos corredores dos «juízos correcionais». Só que o Paulo, lei fatal da vida, envelheceu também, ganhou os tiques dos adultos, quis ser político, ministro, essas coisas que dão reumatismo mental. Vimo-lo comer a sopa onde vomitara, gaspacho sem graça, refeição tristonha.
Eis, enfim, o vazio. Coube a Inês Serra Lopes, tentar manter heroicamente o jornal. Já não era possível. Salvo o «Diário da República», um jornal tem de ter uma linha editorial. Para sobreviveram, há os que, picantes, apostam nas glândulas mamárias na primeira página, outros, louvaminhas, nos sucessos do Governo. O Indy tinha envelhecido e com isso entrara no caminho do saiba morrer já que viver não soube. Ontem ao ver aquela edição de luto, a última, senti uma tristeza na alma. No dia em que morre um jornal, é menos uma voz. Eu sei que às vezes dá raiva lê-los, mas antes isso que não os ter.

28.8.06

E agora?

Segundo li aqui «os fumadores de cachimbo que inalam vivem tanto como os não fumadores e os que não inalam vivem mais que os não fumadores». E eu, que sendo fumador ocasional de cachimbo, que agora estou na dúvida, pois não me lembro se inalo ou se não inalo! É o que se chama uma questão de vida ou de morte.

Veiga de Oliveira

Soube agora que morreu Álvaro Veiga de Oliveira. Há sempre algo de trágico na naturalidade que é a morte. No caso foi ter lido que se soube hoje ter ele morrido quinta-feira, com tudo o que isso significa de nos apercebermos do que, afinal, inexoravelmente já passsou. Conheci-o, superficialmente embora, era ele ministro do VI Governo Provisório, dirigido pelo destemido Almirante Pinheiro de Azevedo, era eu um jovem rapaz, secretário por isso daqueles tumultuosos Conselhos de Ministros, que se repetiam às vezes várias vezes por semana e sempre até altas horas da madrugada. Tempos complicados, cheios de histórias fantásticas, de um Governo em que ele era o único comunista e o Magalhães Mota o único PPD. Tudo o mais militares e socialistas. Lembro-me dele, ajoujado com volumosos dossiers, a ter de intervir em todos os assuntos, para dar voz ao seu partido, enciclopédia ambulante, aflito às vezes a pedir um minuto para poder consultar um documento ou outro que algum adjunto lhe preparara, para poder votar sim ou não. E lembro-me da sua simpática figura, de pé já, dedo no ar, tentando captar a atenção do gesticulante Primeiro-Ministro, figura ímpar para aqueles tempos loucos que se viviam. Claro que a sua baixa estatura e o estilo vociferante do Almirante faziam com que nem sequer fosse notado. Uma vez, desesperado, assobiou! Parou o Conselho de Ministros. Eu não parei de tirar as minhas notas. O diálogo é extraordinário: «O que é, ó Veiga?», lançou-lhe, num intervalo, Pinheiro de Azevedo. «É um xixi, senhor Primeiro-Ministro!». «E é preciso, licença, homem?». «Licença não é o caso, mas é que nas minhas costas, no tempo de um xixi, os senhores zumba, aprovam mais um decreto!». E aprovavam mesmo!

27.8.06

Crise de crescimento

Houve um tempo, o do estoicismo, de se guardarem, como sendo da vida íntima, as doenças graves e os problemas familiares. Hoje, pelo contrário, sabe-se pela imprensa quem tem cancro na próstata ou doença séria na coluna. Sabe-se, pela boca dos próprios, assim como se sabe porque é que aquela abortou, com quem é que aquele anda a dormir, ou as fantasias eróticas de muitos casais do jet set. Tudo isto, num mundo que anda com as partes ao léu, é para ser levado com muita ironia. Comprei hoje o Expresso de ontem e acho que ainda cheguei a tempo. Lá vinha uma frase, que terá saído há uns dias na revista Visão, atribuída a Mário Assis Ferreira, administrador do Casino do Estoril, no qual o chinês Stanley Ho tem interesses de vulto. Contava o dito Mário como é que, saído do Hospital, com uma cicatriz de oito centímetros, fez uma viagem de avião a Hong Kong, para se encontrar com o referido Ho e como é que, ao voltar, a cicatriz tinha mais dois centímetros. Desculpe-me o próprio mas ri-me a bom rir. Talvez por ter sempre a cabeça cheia de segundas intenções, lembrei-me da biografia da outra que contava como é que a do outro, na hora da cama, se lhe encolheu, por duas vezes, deixando-a à míngua e ele a falar sem parar do assunto.

26.8.06

A insatisfação itinerante

Chega-se, de malas na mãos, ainda turista na própria terra. O ar parece leve, as ruas limpas, tudo sossegado, em pequenino. Amanhã talvez comece o sentimento de exilado, a alteridade, o sentir-se um homem hóspede em casa alheia. Depois, com o passar das semanas, surgirá o desejo de emigrar. É assim esta insatisfação itinerante do português. Sinto-me um deles. Não nasci aqui, mas é aqui que me sinto em casa. Numa rua qualquer de uma longínqua cidade russa, cruzei-me com um desses portugueses errantes, para quem eu, anónimo na multidão, mereci um «ora viva, então por aqui!» esfusiante, como se nos cruzássemos, num sábado de manhã, ao acaso, numa rua de Campo de Ourique. Tinha vindo de mota. Faz-se bem, explicou-me. Muito bem mesmo, calculei, sobretudo para quem tem como limite o canto da Europa e como alternativa o atirar-se ao mar.

20.8.06

Cidadania

Longe, muito longe, em terra estranha, posso pela Net saber o que se passa no Governo e no que deles dependem. Prefiro saber como andam os meus filhos. Digam-se ser a rebeldia da cidadania. Tanto me faz. Continuo a perguntar ao Hugo se deixou o caixote do lixo e a roupa para lavar. O mais, a esta escala perde por completo interesse.

15.8.06

Atrás do sol posto

Eu ontem acho que coloquei sem querer um clássico problema da sociedade portuguesa que é o saber se o público funciona melhor do que o privado. Há sobre o assunto uma discussão ideológica. Mas há depois o critério prático. Os que têem dinheiro, em regra, preferem os colégios particulares, os hospitais privados, os seguros de saúde, os advogados em profissão liberal. Se o sistema público de educação, de saúde e de defesa oficiosa são excelentes, a verdade é que a maioria dos que podem finaceiramente não os querem. Depois, um leitor amável, colocou um outro problema, o de se ter sorte ou azar no atendimento, a diferença entre o ser um zé-ninguém ou uma cara conhecida. Há ainda um outro que é o ser-se de qualquer coisa, a pertença a um mesmo clube, ou da mesma terrinha. Ante o burocrata façanhudo e resmungão, o descobrir-se que afinal o mal tratado utente é da mesma aldeia é logo uma radical viragem no modo de tratar. Isto para não falar de ser-se da mesma agremiação. O complexo de inferioridade do português leva-o a ser deferente com os poderosos que, no fundo, inveja. A sua ruralidade ancestral leva-o a defender a sua courela e os que de lá vieram, por raiva aos que de lá não são.

Os hospitais públicos.

Com oitenta e três anos de idade, caíu em plena rua. Foi levada ao Hospital Amadora Sintra. Mandaram-na embora, porque não era nada. Por insistência do posto médico de Sintra, onde foi, por não aguentar as dores, voltou ao mesmo Hospital. Descobriram, enfim, que afinal tinha o braço visivelmente fracturado. Em Novembro do ano passado tinha-lhe acontecido o mesmo: caíra em plena rua, porque está a perder a visão. Foi também ao Hospital Amadora Sintra, por ser o da área da sua residência, o hospital obrigatório. Por causa do que então lhe sucedeu, escrevi isto. Não o disse então, para não parecer que uso os blogs em benefício próprio, como vejo tantos fazerem sem pudor. Digo-o agora, por não poder conter mais a raiva: é a minha mãe. Felizmente o filho levou-a da outra vez e desta vez a um Hospital Privado. O filho tem dinheiro, o filho é conhecido, a mãe foi por isso enfim bem-tratada e isto é um país de merda! Ai dos desgraçados!

12.8.06

Compre um saco, oferecemos o jornal

Eu sinto que o «Expresso» anda angustiado por causa do «Sol». Eu também, mas por causa do sol dardejante deste Verão. Mas este sábado o «Expresso» foi notícia aqui na praia. Devido a um erro da distribuidora, tinham vindo sacos de plástico a menos para os jornais que foram entregues. Foi o desapontamento geral. Entre o macambúzio velhote magriçela de desencanto, a perguntar-se silencioso com que é que ia forrar logo o caixote do lixo lá de casa, à anafada senhora, de cesta lancheira num braço, mala frigorífica noutro, a bolsa dos cremes ao pescoço apoiada no farto seio, o guarda-sol de praia filado nos dentes, a deixar cair suplementos, encartes, desdobráveis e tarjetas, havia de tudo. «Se é assim, compro noutro lado!», ameaçou uma loira postiça, com refegos nas pernas e cãozinho à ilharga. Acho que o povo tem razão. Isto quanto ao «Expresso» já não há saco que aguente.

Bifes mal passados

Os ingleses, os da nossa mais velha aliada, não perdem oportunidade, sobretudo no Verão de emporcalharem o turismo algarvio, para onde viajam aos magotes, muitos para sairem daqui que nem lagostins, empanturrados de cerveja. Em tempos eram os esquentadores que explodiam. Agora é um estudo segundo o qual os condutores britânicos correm em Portugl três vezes mais riscos de um acidente fatal do que no seu próprio país. Quem quiser ler mais, veja aqui. Eu li e dei comigo a pensar os nossos emigrantes tugas em Inglaterra terão três vezes mais oportunidades de atropelar bifes do que aqui. Por isso, ó aceleras, toca para o Reino Unido. Mas atenção, convém guiar pela direita. Apanham-se mais e mais facilmente. Desde a trôpega lady, á ginasticada miss, passando pelo ataviado lorde e o tatuado hooligan, é caçada grossa. Pior que o pára-brisas numa viagem Lisboa/Algarve: uma mortandade de insectos!

Cuidado com os chatos!

Li para aí que a polícia vai passar a ter equipamentos para vigiar as conversas no «chat». Primeiro, foi o abrir cartas, depois escutar telefones, logo a seguir telemóveis, os faxes, depois enfim os emails. Agora são os «chats». Um cidadão já não sabe onde haverá de falar sem ser ouvido. Qualquer dia, em plena alcova amorosa, enlaçados no auge do escaldante momento, um dos parceiros diz ao outro, ciciando-lhe, desconfiado, quebrado o ímpeto pelo ciúme: «parece-me, filha, que está alguém debaixo da cama». Ouvirá, tranquilizante, como se numa carícia a animá-lo: «deixa lá meu anjo deve ser algum chui».

A nódoa

Afinal o escritor Günter Grass foi membro das SS nazis. Achou que agora é que era a altura de o confessar, depois de ter sacado, convenientemente calado, o prémio Nobel da Literatura. Claro que é uma questão de falta de vergonha e de imoralidade. Numa entrevista em que confessa o que diz ser uma «nódoa» na sua vida, diz que esse seu silêncio «sempre o atormentou». Leio isto e acho que o homem, que tem casa por Almancil, está equivocado: a nódoa não é ter pertencido às SS, a nódoa é todos os que o sabiam terem fingido que isso nunca tinha acontecido.

7.8.06

A extrema unção

Nada como o Verão para a libido noticiosa se soltar. Pelo que se lê na imprensa, os portugueses não passaram a copular menos depressa, o país é que passou a ser penetrado mais facilmente. Eis o que se retira desta notícia: «a população portuguesa ascendia a 10.569.592 indivíduos no final do ano passado, um acréscimo de 40.337 pessoas face ao ano anterior, indicam os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Este valor significa que, a cada 13 minutos no ano passado, o País ganhou um novo residente. Ainda assim, o crescimento populacional diminuiu face a 2004. Em 2004, a população portuguesa registou um incremento de 60.895 indivíduos, o equivalente a um novo português a cada oito minutos e 42 segundos». É que do que se trata não é de mais gente feita cá, mas sim de mais gente que cá entrou. Entram e pelos vistos suavemente, que nem se dá conta, com vontade e seguramente com unção.

6.8.06

Fumos comunitários

Ao que leio, do Direito Europeu resulta que uma empresa que recuse a contratar um trabalhador fumador não viola as normas comunitárias. Se o sistema é assim, as fábricas de tabaco, a entrarem no sistema, deviam ficar como as fábricas de armamento: manufacturam produtos que servem para matar os outros, e não seria de bom tom que a matança começasse logo portas adentro! Mas acho que não vai ser assim. Qualquer dia os burocrats europeus inventam outra e afixa-se necrologicamente nas tabaqueiras: «fumar mata e aqui vende-se a morte»

5.8.06

Cães à solta

O Fisco decidiu afixar a lista dos devedores, o Tribunal de Contas afixará a dos credores. Penso que o objectivo é envergonhar quem deve. A coisa terá resultado. Pelos vistos o calote passou a ser mal visto. A ideia das listas começou na Avenida Defensores de Chaves. Cansados de esperar que as autoridades evitassem que as pequenas da vida aviassem os clientes dentro dos carros, ali mesmo em plena rua, ameaçaram, com uma faixa a avisar, que iam publicar na internet a matrícula dos carros. Foi dito e feito. Não mudou o negócio, mudou foi o local. Se a situação é igual, há que perguntar os que pagaram à Fazenda a quem terão ficado a dever.