8.10.06

O filhos de Eva

Extasiado, vejo na imprensa desta madrugada que a primeira foto de Marylin Monroe nua vai a leilão. Num mundo em que já não se sabe mais o que há para ver, só faltava mais esta: o ser produto raro o corpo nu de quem se julgava já que toda a nudez tinha sido castigada. O que mais nos estará reservado, os degredados filhos de Eva?

7.10.06

Ridícula velhacaria

Digam-me que não é ridículo a propaganda do governo afirmar que «cerca de 1,2 milhões de portugueses vão ficar mais perto de um serviço de urgência com a nova rede», quando quem anda pelos hospitais públicos sabe quantas horas ficam os desgraçados doentes a apodrecer nessas urgências até chegar a sua vez! Digam-me que não é uma refinada velhacaria esta forma de enganar, quando até um inquérito feito por uma revista afecta ao Governo veio mostrar que os políticos, quando estão doentes, preferem os hospitais privados!

Poderes ocultos

Eu como tenho estado encafuado a trabalhar estupidamente devo estar em défice mental de compreensão. Por isso venho aqui perguntar aos que por aí tanto sabem: importam-se de me explicar qual é o poder que tem o Presidente do STJ para que haja por aí a o turbilhão verbal por ser o senhor A e não o senhor B a ocupar o cargo? E já agora: levam a mal se eu perguntar o que é que interesa realmente o que diz o jornalista F ou ou director de jornal P, para que de repente até distintos magistrados venham à paliçada retórica às arcabuzadas argumentativas? Será tudo para levar tão a sério? Se é, então o senhor Conselheiro Presidente do STJ deve de facto ter poderes ocultos, pois ainda não dei por eles.

30.9.06

Tinta da China

Eu, pontual, compro, regularmente, os jornais, livro-me, organizado, do inútil que eles transportam e não vou ler. Depois, meticuloso, enaipo-os uns em cima dos outros, os maiores por baixo, os suplementos em cima, por tamanhos. Os que tratam de cultura, meto-os na pequena pasta, para ter a certeza de ler depois. Na semana seguinte, tanta vez fica tudo por ler. Comigo, a pequena pasta, qual mala de porão para os monótonos itinerários transatlânticos desta vida, é como se uma forma de eu saber da estupidez deste meu viver. Eu compro sempre jornais. Para muita gente é assim que sabem o que por aí sucede. Para mim é uma forma barata de ignorá-lo!

28.9.06

22.9.06

Uma procuradoria que procura

Ou eu me engano muito, e engano-me de facto bastas vezes e passo a vida a ter dúvidas, ou o Presidente da República, que queria ter na justiça a paz e a concórdia, de que o governo fez pacto, acaba de criar uma nova variante de Procuradoria, aquela que procura conflitos. O estilo directo, a ausência de peias de Pinto Monteiro contrasta fortemente com o labiríntico Cunha Rodrigues e com o crédulo Souto Moura. Hoje já vieram os do Conselho Superior da Magistratura dizer que ele, o novo PGR, os ofendera numa entrevista anterior, o que «não augura nada de bom para o relacionamento entre os dois órgãos». Claro que a vida está repleta de casos em que, no final, todos convivem de palmada nas costas. Só que a vida onde esses afrontamentos públicos terminam em confraternizações privadas é a vida política. E ou eu me engano muito ou a politização total da Justiça está à vista: jogos de poder, luta por cargos, ânsia de protagonismo, a função como um meio, a gestão do tempo, da imagem, tudo aquilo que os políticos fazem, eis.
O tempo se encarregará de mostrar para onde vamos. Eu se fosse político, exultava ao ver os magistrados comportar-me como eu, em ânsia pelo poder. Clones de mim, cada um seria um gérmen do virús que leva no fim ao descrédito total. E é disso que se trata.

21.9.06

Trancado com um livro

Hoje não estou cá. Não por ter passado o dia enclausurado dentro de uma sala de tribunal, porque isso, de há uns largos meses a esta parte acontece quase sem excepção. Mas porque, ao ser noite, encerrei-me, para tentar acabar a leitura de um livro que amanhã apresentarei na FNAC do Chiado, pelas 18:30. O livro não pára de me surpreender, desmentindo a capa, o título, a ideia feita que eu tinha sobre o seu autor. Chama-se «Túmulos Caiados», por ser a frase do Evangelho segundo São Mateus: «Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes a túmulos caiados: formosos por fora, mas por dentro, cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de imundície». Conheci o autor, o Pedro Krupenski, por causa do Direito, vivendo entre os Doutores da Lei e outros fariseus hipócritas. Como o seu livro me impressiona, trancado que estou esta noite a lê-lo, para que amanhã o saiba de cor.

18.9.06

Feminismo etílico

De facto, como já me dei conta, as estatísticas estão na moda, mesmo as mais ridículas. Num canto escondido de um jornal de hoje vinha que «as mulheres que bebem socialmente recebem mais 14% do que os abstémios, enquanto que os homens ficam pelos 10%. Na qualidade de defensor da masculinidade abstémia, protesto! Não que, como macho, queira receber mais do que fêmea fora e não quero nem uma coisa nem outra! Quero é saber o que é esta do «beber socialmente». Com tanta estupidez à solta, só largando a beber para esquecer!

17.9.06

Efectivamente

O Governo anunciou, segundo li na imprensa, que medidas de efectivo combate à corrupção irão ser anunciadas em Abril. Só não consegui descobrir em que dia. Será no dia 1?

15.9.06

Quantos dias, tantos dias

A mania das estatísticas está na moda. Estamos perante o mercantilista reino da quantidade. Hoje fiquei a saber que há cinco casos mortais por dia de cancro na próstata. Soube-o porque a mania dos dias está na moda: outro dia foi o dia da enxaqueca, hoje foi o Dia Europeu das Doenças da Próstata. Ainda hei-de averiguar onde é que estas coisas estão escritas, pode ser que não haja o dia de coisa nenhuma. A coisa tinha duas vantagens: evitava-se o ridículo comemorativo e passava-se à ligar à vida independentemente do quanto é.

14.9.06

A nulidade

Decididamente está visto! Vim para Direito por ser uma nulidade em matemática. Pois se até ao calcular 16% de dez milhões me engano, e escrevo 160 mil em vez de um milhão e seis centos mil! Obrigado pela rectificação! As minhas desculpas a quem leu. Mas, já agora, por amor à verdade, o número exacto dos inteligentes em Portugal tem que ser um milhão, quinhentos e noventa e nove mil e noventa e nove, porque eu, apesar de sofrer de enxaquecas, tenho que entrar na categoria dos burros, pois nem aritmética aprendo!
PS. Desisto! Não é que me tornei a enganar! Em vez de um milhão noceventos e .... pronto! Não vale a pena! Está feita a prova! Cada um é mesmo para o que nasce. E eu, em matéria de contas, é melhor capacitar-me de que é assim.
P. S. Acima as letras «nt» vão a bold porque estava escrito «ineligentes», o que permitiu a irónica rectificação de um leitor. De facto, não são só erros nas contas, é também na ortografia. Será que eu passei pela 4ª classe?

13.9.06

Condenações e promoções

Leio num jornal diário: «as promoções na Polícia Judiciária vão ter em conta o resultado das condenações obtidas em Tribunal, adiantou ontem ao CM fonte oficial do Ministério da Justiça». Eu nem quero acreditar que isto seja verdade! É que na minha ideia a PJ serve o MP e o MP deve pautar-se por espírito de objectividade. Se a ideia é verdadeira, é a subversão total os princípios em que assenta a Justiça Penal.
Mas o que me espanta é que confrontado com esta possibilidade, Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical de Funcionários de Investigação Criminal da PJ, a considere «um disparate profundo», mas acrescente que: «isso só seria possível se quisessem dar à PJ a competência toda nas investigações criminais, o que eu não acredito nem acho que seria benéfico».
Mas isto é assim? Os da PJ achariam bem serem promovidos em função do número de pessoas que conseguissem fazer condenar? Se isto anda assim, é caso para gritar: ó da Guarda, mas Guarda Republicana, claro está!

12.9.06

Politicamente cioso

Eu não queria acreditar quando vi hoje, ao fim do dia, no suplemento de economia do «Diário de Notícias», que o primeiro-ministro Jacques Chirac, ao apresentar, logo precisamente ao seu homólogo espanhol, José Luís Zapatero, o colega de Helsínquia, o fez dizendo «deixe-me apresentá-lo ao homem mais sexy da Finlândia». O jornal não diz qual foi a reacção dos apresentados. O saleroso castelhano talvez não esperasse tanto. A partir daqui os dirigentes nacionais que se cuidem: anda por aí, pelos corredores das chancelarias, um perfume adocicado no ar, o cio como parte da cortesia política masculina.

O dia das cefaleias

Dizem-me, para me consolar, que a enxaqueca é a doença das pessoas inteligentes. Não que quem a não tenha seja estúpido. É só porque os doentes que dela sofrem têm o cérebro mais irrigado e por isso a cabeça rende-lhes mais. Na maioria dos dias não tenho dado conta disso. Agora fiquei foi perturbado ao ler na imprensa que «16% da população portuguesa sofre da doença». Quer dizer que andam por aí 160 000 inteligentes à solta sem nós apercebermos e sem que o país os utilize. Ora hoje é o primeiro dia Europeu da Enxaqueca. Não sei como haverei de comemorar: talvez com uma marretada na pinha, que estou farto de estar aqui há horas a trabalhar!
P. S. Decididamente está visto! Vim para Direito por ser uma nulidade em matemática. Pois se até a calcular 16% de dez milhões me engano, e escrevo 160 mil em vez de um milhão e seis centos mil! Obrigado pela rectificação! As minhas desculpas a quem leu. Mas, já agora, por amor à verdade, o número exacto dos ineligentes em Portugal tem que ser um milhão, quinhentos e noventa e nove mil e noventa e nove, porque eu, apesar de sofrer de enxaquecas, tenho que entrar na categoria dos burros, pois nem aritmética aprendo!

11.9.06

Sócrates em bicos de pés

Há em muitos dirigentes de Portugal uma falta de sentido das proporções, um agigantar-se que os torna por vezes caricatos face à sua real pequenez. Veja-se que segundo a imprensa: «o primeiro-ministro português, José Sócrates, incentivou hoje, véspera do quinto aniversário do 11 de Setembro de 2001, os líderes da Europa e da Ásia reunidos em Helsínquia a fazer mais pelo combate ao terrorismo». Ante tal arrogância empertigada, a pergunta que os líderes da Europa e da Ásia deveriam fazer entre dentes, bem pode ter sido algo do género: «mas quem é este tipo?». Isto se não repararam que cá na terra até as criancinhas espancam à vontade professores nas escolas, como eu disse aqui. Mas não haverá vergonha e modéstia nesta gente?

10.9.06

O pacto e a pateada

Eu, pois que vejo pouca televisão, quase nunca vejo comentadores televisivos e muito menos aqueles que têem sempre opinião sobre tudo, enciclopédias ambulantes do imenso saber e megafones do alto dizer. Mas ao ver o Marcelo Rebelo de Sousa a afirmar há momentos como é que Marques Mendes e José Sócrates fizeram o favor ao país de tirar a Justiça do fundo em que havia enfim tocado, pensei naqueles magistrados que estão contentes a bater palmas ao pacto e que, ao verem a RTP-1, ficaram agora a saber que se estão, afinal, a vaiar a si próprios!

Dormir juntos

Leio no jornal «Público» de hoje uma notícia que vem intitulada «Dormindo juntos pela fé». O texto reza: «Alguns fiéis dormem juntos, ao ar livre, aguardando a missa que o Papa Bento XVI celebra hoje em Munique. O Sumo Pontífice está de visita ao seu estado nativo da Bavária». Fiquei mais sossegado. Nós que tantas vezes nos surpreendemos no dormir juntos pelo pecado, descobri que também o podemos fazer pela fé. Haja esperança!

Violência à solta

«Sabemos que muitos [...] têm receio de se expor ou de reconhecer que estão com um problema de controlo das situações, acrescenta. A indisciplina dos [...] leva-os muitas vezes ao desespero e "a linha quer dar-lhes o apoio e a formação que lhes permita lidar com situações de conflitualidade". O ideal é "evitar que as agressões ocorram efectivamente"».
Sabem de que se trata, pois eu escondi as palavras que o permitiria compreender? De uma linha telefónica para os professores poderem expor as situações de violência a que estão sujeitos por parte dos alunos!!!
Ante isto eu pergunto: mas que sociedade miserável é esta em que vivemos?. Nós, os que fomos educados nas décadas de cinquenta e sessenta e que tão revoltosos fomos para com o conservadorismo educacional dos nossos pais, que fauna selvática vamos deixar para o amanhã? Não deveríamos ter vergonha na cara? Não deveríamos pedir-lhes desculpa pela arrogância com que os enfrentámos quando eles nos queriam educar? Ante esta marginalidade brutal à solta nas escolas, não percebemos que falhámos redondamente como cidadãos e educadores?
Os números oficias do Gabinete de Segurança do Ministério da Educação dizem que «registaram-se, no ano lectivo 2004/2005, mais de 1 200 casos de violência escolar nos estabelecimentos de ensino portugueses. Estes obrigaram um total de 191 alunos, professores e funcionários a receber tratamento hospitalar devido a agressões».
Edificante não é senhores políticos? Fantástico não é senhores progenitores-cidadãos? Que belo exemplo estamos a dar agora que vivemos em democracia e em liberdade!

9.9.06

Pacta sunt servanda

Por estar na moda, hoje fiz um pacto comigo mesmo. Porque secreto, escondi-o aqui.

O chique e o Chico

Há uma crónica risonha do Artur Portela Filho, penso que daquelas que ele publicava no efémero «Jornal Novo» ou que ele editou em «A Funda», na qual ironiza o nascimento do «Expresso». É um texto divertido, sarcástico, daqueles que são um notável tónico para o fígado. Nele, um personagem fictício mas onde logo se descobre o Francisco Pinto Balsemão, desdobra, luzidio de vaidoso e num jactante «já está!», o primeiro número do seu «O Palmelense», pois a sede inicial do jornal era na Rua Duque de Palmela, e a propósito do formato longo e imenso do jornal, dizia algo como - e cito de memória -: um jornal chique, daqueles que se lêem, assentando-os ao longo da perna traçada, no sofá do clube. Era assim, em contraste com as «folhas de couve», os pasquins da classe média, a sujarem as mãos, impressas por revoltados tipógrafos, de «insolentes gangas», e lidas por gentinha «a cheirar a calote e a pastel de bacalhau com vinho tinto». Tudo isso hoje mudou. Os tempos vão duros. Por isso o «Expresso», de há muito que deixou de ser chique e com a idade descobriu-se hoje que tinha encolhido. Francisco Pinto Balsemão vê-se na contigência de ter enfrentar a concorrência. Ele sabe que basta roubarem-lhe vinte mil leitores e o mundo a seus pés começa a ruir-lhe.