23.10.07

O SIS e a escutas

«Em Portugal, só a Polícia Judiciária por ordem dos juízes e os serviços de informações podem fazer escutas legais». Disse-o o professor Marcelo Rebelo de Sousa, num momento de comentador. Ou é verdade e é grave, ou é engano, e é grave. Em qualquer caso, não tem importância.

21.10.07

Ruídos estranhos

O Dr. Pinto Monteiro ouve ruídos estranhos no telefone e não está seguro de que não tenha o telefone sob escuta.
Claro que o Dr. Pinto Monteiro podia queixar-se ao PGR e pedir-lhe providências. Mas será que ele acredita que o PGR tem força e poder para conseguir evitar que lhe ponham o telefone sob escuta?
Fiquei com a ideia, ao ouvir falar na entrevista que deu a um semanário, que não acredita muito e receará que a sua queixa possa ficar à mercê de algum barão, duque ou marquês do Palácio de Palmela, onde, segundo nos disse, ainda impera a ordem feudal.

20.10.07

João, vamos fazer um jornal

«(...) João Coito era um conservador, eu fui-me tornando um radical. João Coito era um católico, eu senti-me abandonado por Deus. João Coito escrevia maravilhosamente, eu ainda ando a aprender a escrever.
João Coito era meu amigo e eu, amigo João Coito, estou triste desde o dia em que o perdi: uma tristeza feita de saudades, nascida na revolta ante o inevitável.
Eis a vida. Um dia encontramo-nos neste processo em que a Vida faz brotar vida nova das vidas que se foram.
Talvez possamos fazer um jornal: será o João o meu Director, dê-me então uma coluna, voltamos ao duro combate pela decência social, contra o vira-casaquismo, pelo esmero de maneiras na vida pública, por uma república de homens-bons» (...) .
Escrevi, para que saia na próxima 3ª feira no jornal «O Diabo», de que foi regular colunista, depois de uma vida no «Diário de Notícias», este momento de tardia homenagem, um artigo de que aqui fica um excerto, «À Esquina da Memória».

19.10.07

Rule Britannia

O caso Maddie é um assunto criminal sujeito às autoridades judiciárias, envolvendo cidadãos privados ingleses. Só que como são pessoas muito bem relacionadas com o primeiro-ministro britânico, este permitiu-se falar ao primeiro-ministro português, que é actualmente o presidente da União Europeia, sobre o assunto e ambos consentiram que isso fosse conhecido publicamente, com grande ênfase, não vá o recado passar despercebido.
Dizem que a conversa foi só para se certificarem que as polícias dos dois países estão a cooperar bem.
Claro que há todos aqueles casos dos anónimos e dos malquistos em que a justiça portuguesa está a receber uma cooperação péssima das justiças de outros países. Mas disso não cuidam os primeiro-ministros.
Quanto às senhoras autoridades judiciárias e policiais portuguesas estão muito caladas, como calados estão todos os que encontram em muito menos a sombra de intromissões governamentais em tudo.
O exemplo está dado! Se houvesse uma bandeira para o Estado de Direito, deviam hasteá-la hoje a meia-haste.

15.10.07

A guerra em vão

O Joaquim Furtado fez em televisão uma série de episódios que vão rasgar feridas que estão ainda mal saradas na pele dos portugueses. Trata-se da guerra, a do Ultramar, a colonial, a de libertação, a guerra. Uma guerra em que ele procurou não glorificar um dos campos contendores, o que corre o risco de desagradar a todos, aos que sentem merecer em troca do sofrimento os louros de uma medalha, para que tudo não haja sido em vão.

14.10.07

Assobios em Fátima

Houve quem se abismasse porque os peregrinos de Fátima, cansados de esperar pelo momento de poderem entrar na nova basílica, apuparam e assobiaram. Ao domingo é assim no futebol, qual dia será assim na Santíssima Missa. Na Cova da Iria foi apenas a zona do meio entre a reverência devida a um Santuário e a feira pagã dos pagadores de promessas, mercadejando com Deus favores em troca de oferendas. O culto de massas tem destas: quem promete milagres vende impaciências.
Uma coisa é a fé pura, a crença na salvação, a esperança numa vida melhor, a redenção pelo sacrifício. Outra é a massificação de um lugar, a ocupação do templo, o divino espiritual à mercê da boçalidade do profano.

13.10.07

Adeus, amigos

Levantei-me tarde, porque mais do que precisar, senti que merecia dormir. Acabei agora de almoçar, o meu garoto mais novo a partilhar comigo o gosto de não gostarmos de alface a não ser sem tempero, a adorarmos carne assada fatiada mas fria, a promessa do irmos daqui a pouco dar uma volta pelo jardim aqui em frente, e passarmos pela loja do chinês, em busca de frascos para o armário da nossa despensa.
Sentei-me a folhear jornais que compro para os olhar em diagonal, o mundo que me interessa reduzido a muito pouco.
Foi então que tudo aconteceu. Atónito, vejo numa página a fotografia do Fausto Correia e a do João Coito. Mortos. Mortos como o Raúl Durão que conhecia pior. Não sabia, ninguém me disse, não li, sufocado de trabalho, soterrado de obrigações.
Uma densa tristeza povoa-me a alma. Por segundos vi-me ali, morto também, velando-lhes o corpo ido, mais mortos do que é possível morrer-se.
Conheci ambos. Do Fausto recebia sempre uma palavra todas as vezes que lhe escrevia, sempre que era uma ocasião. Maçon, conhecemo-nos independentemente disso, socialista, admirava-o mesmo quando eu já renegava o partido que do socialismo usurpa hoje o nome. Via nele a arte de viver este mundo, disponível para todos os mundos possíveis, a bonomia feita acção, a Coimbra boémia, sedutora como miragem.
Do João Coito recebi sempre uma palavra de estima, de apreço, de admiração, mesmo quando soube que lhe era difícil manifestá-la. Católico, consevador, ensinou-me o que é escrever, o que é saber carregar a fundo sobre o injusto e o indesejável, com elegância, boas maneiras e requintada educação. Combinámos jantar, o convite mantinha-se, adiava-se, lembrava-me disso cada vez que a minha mãe me telefonava, orgulhosa, a dizer «José António, o João Coito, falou outra vez bem de ti».
Vou sair. Talvez o jardim, a loja do chinês, os frascos para a minha despensa, me ajudem por uma horas à ilusão que é estar-se ainda vivo, perdido o momento de escrever ao Fausto, de telefonar ao João, adeus amigos, que isto de se estar triste é uma coisa que não mereceis. Adeus, adeus.

5.10.07

O dia do nada

Ainda a comemoração do 5 de Outubro: soube agora que o primeiro-ministro chegou tarde ao acto, já o Presidente da República discursava, a nova direcção do PSD não sabia do convite, nem sabia que tinha de lá ir. São na aparência falhas de protocolo, são na verdade, a imagem da degradação a que chegou o cerimonial público. São as condecorações à dúzia, o cumprir oficial das efemérides. À falta da adesão popular, eis os militares, as forças militarizadas, os sapadores bombeiros, qual corpo de baile. Os discursos têm menos a ver com o que se comemora, são momentos para os políticos darem recados uns aos outros através da comunicação social. Foi assim com o 28 de Maio, está a ser com o 25 de Abril, com o 10 de Junho. Um destes dias, inaugura-se o dia do nada, o zero absoluto dos que com nada se importam.

Uma praça vazia

Ao ver, vazio, o Largo do Município, as altas figuras do Estado com um ar de enfado neste dia feriado, o Presidente da República a discursar, hirto, para um corpo de GNR's, arregimentados para o efeito, vi a que ponto estamos em matéria de fervor republicano.
A rematar o seu «directo», a SIC Notícias deu-nos o caricato: o Chefe de Governo, enfim aliviado da pose comemorativa, a brincar, como se com um pendericalho, com a medalha da Cidade de Lisboa que António Costa trazia ao peito. Riam, todos, prazenteiros, com o fetiche, excepto Jaime Gama, que aprendeu a substituir o riso por um esgar.
Acho que se os monárquicos tivessem organizado uma romagem para evocarem o regicídio eram capazes de ir mais mobilizados e em maior número.
A República deixou de ser comemorável, por uma razão: ninguém se apercebe hoje que ela existe, tal como todos ignoram que o senhor de barbicha que a anunciou se chama, entre os Relvas, Miguel Relvas. O «devorismo» tornou-nos semelhantes ao agonizar da Monarquia.

1.10.07

Sexo na cidade

Eu mal vejo televisão, não por pedanteria, mas por ter pouco tempo e preferir ler, quando posso. Sou como aqueles fumadores passivos, vejo a televisão que estão a ver nos sítios onde estou, a maioria das vezes como ruído de fundo.
Outro dia foi-me impossível não notar. Umas senhoras falavam do sabor do esperma dos homens com quem tinham estado.
Era uma série de renome, ao que me apercebi, que traz as mulheres pelo beicinho, e que muitos homens não perdem.
Eis os serões nocturnos, a televisão no pico de audiência, a verdadeira hora de ponta.
Hoje de manhã ouvi na rádio que o Governo quer fomentar a natalidade. Não há pois esperma a desperdiçar. A televisão, nisso, a continuar assim, não ajuda os superiores interesses do país.

30.9.07

Um mimo

Segundo leio numa bela forma de dizer no site da TSF «morreu ontem, em Paris, o pierrot do século XX. Nasceu como Marcel Mangel, em Estrasburgo no ano de 1923, e morre como Marcel Marceau em Paris, em 2007».
Há um filme de Mel Brooks, «Silent Movie», em que de todas as personagens ele é o único que fala.
Com ele aprende-se a dizer com a expressão, olhos nos olhos, a alma entreaberta.

26.9.07

Encostados à parede

Numa parede em frente a minha casa, alguém escreveu com fina ironia e inteligente humor: «tu não és o conteúdo da tua carteira». Todos os dias passam em frente a essa parede lúgubres criaturas, os resignados com a vida, conformados com o presente, indiferentes ao passado, receosos do futuro. Transporta-os a Carris para empregos que nos fariam sentir infelizes e onde ganham o pouco com que alugam a ilusão de felicidade. Hipotecados à banca por causa dos apartamentos onde dormem, são magros de conteúdo como a magreza das suas carteiras. As suas vidas desmentem o que os seus olhos lêm, fora do mundo do ser e estranhos ao universo do ter.

24.9.07

Ao passar pelo DCIAP, um susto!

Hoje pela hora do jantar, ao subir a Rua Alexandre Herculano, passado o SIS, onde se vê quem, sendo secreto é topado a entrar, e querendo ser discreto é surpreendido a sair, estando já no topo da rua, antes de chegar ao célebre Chafariz dos tiroteios revoltosos, ainda sem a sede do Partido que está no poder à vista, no passeio oposto à escondida sinagoga, eis uma série de carros de exteriores das televisões, de parabólicas em riste.
Como é ali o DCIAP, dei um salto. Pronto! Acabou de vez o segredo de justiça, pensei: agora os processos criminais estão a ser transmitidos em directo e ao vivo, qual reality show, os procuradores e os defensores, os arguidos e as vítimas num verdadeiro prós e contras, a audiência - porque não? - num jogo de apostas sobre quem sai acusado ou se livra com um arquivamento, os comentadores do costume - os que têm opinião sobre tudo o que há neste mundo terreste, aquático, subterrâneo e inter-galáctico - a botarem sentenças.
Intrigado, liguei a rádio, até por haver um magote de jornalistas à porta: falavam num recurso de uma condenação. Os meus piores augúrios, por um momento, pareciam confirmar-se.
Mas não, afinal era ali mesmo, mas na Federação Portuguesa de Futebol, que partilha com o DCIAP a porta do lado. Gilberto Madaíl falava sobre Luis Felipe Scolari. Portugal futebolístico apoiava o recurso do Filipão.
Vá lá. Desta, a culpa não é do Código de Processo Penal, sou eu que já ando a ver atrás de cada folha da floresta jurídica uma cascavel.

23.9.07

Santana a sério

Como tenho pouco tempo para ler jornais há coisas, sobretudo as da política, que me escapam, ou que leio de soslaio. Pareceu-me que Pedro Santana Lopes tinha falado de não sei o quê «a sério». Afinal era para dizer que «ou se faz oposição a sério na AR ou não vale a pena estar lá"». O jornal onde li acrescenta que «Pedro Santana Lopes admite avançar para a presidência do grupo parlamentar do PSD». Aí sim, eu pergunto: a sério? Mesmo?

8.9.07

A CP e o sutiã

Uma pessoa pensa que um blog é um diário e na prática pode ser. Mas exige um computador ou um telefone pelo qual se enviem os textos. Ora um telefone arranja-se e eu tenho um. Exige sobretudo tempo, mas tempo sempre se inventa, porque um post escreve-se num minuto. Exige-se um estado de alma, mas isso também se adapta, pois da escrita intimista à risonha, da revoltosa à desesperada, há de todos os géneros.
Posto isto, ontem não escrevi. Porquê? Porque vim na CP onde a linha telefónica é como aqueles sutiãs que dão um toque de malícia feminina expondo na mulher, sem alças cortando a extensão do visual, os ombros nus: cai-cai!

6.9.07

A CP faz impressão

A CP está um prodígio tecnológico! Abre-se o site e compra-se um bilhete on line. Vê-se o horário, escolhe-se o comboio, selecciona-se o lugar, à janela ou na coxia, com ficha telefónica para o computador nos comboios Alfa, na carruagem um ou na dois, no sentido da marcha, ou às arrecuas. Paga-se, enfim, por cartão de crédito. Tudo no computador, sem sair de casa, sem «bichas», sem «multibanco fora de serviço». Depois o bilhete é enviado por email ou por sms para o telefone.
Chega-se enfim à carruagem e eis o simpático revisor, pois já não temos pela pela frente o passado «trinca-bilhetes», mas alguém que olhando para o écrando telemóvel confere com a lista que traz com o que a CP nos enviou digitalmente e nos responde um «sim senhor, obrigado, nuito boa viagem». Às vezes, por precaução pede-nos, sempre amável, «o BI, desculpe», só para ter certeza de que nós somos nós.
Admirável mundo novo, ferroviário na marcha, electrónico na bilheteira.
Agora exprimentem só a cancelar a viagem, porque não vão viajar. On line já não pode ser. Chega-se à bilheteira, espera-se a vez na «bicha». O homem que atende já não é tão simpático: «Reembolso, tem de preencher o formulário!». Venha ele. «Leva alguns dias». Não faz mal! Quantos? «Não posso dizer, sei lá. E tem de mostrar o bilhete!». Está aqui no sms... «Não vale! Tem de ser impresso!». Mas eu aqui não tenho impressora! «Isso de estar aí não interessa, só impresso». Mas, se eu viajasse o que está aqui no telemóvel valia, era só mostrar ao revisor!. «Olhe lá, já lhe disse, ouviu, não interessa nada disso, o nosso regulamento exige que o formulário leve o bilhete impresso, o que é que quer mais!». Eu? Mas os senhores no vosso computador sabem que eu tinha bilhete e ia viajar, para quê o impresso e, pode ver, está aqui no telefone o bilhete, com o código da compra, o número do lugar. «Olhe desculpe, ou tem bilhete impresso, ou não há reembolso!». Mas eu aqui em férias não tenho impressora! «Ah! E tem de pagar quatro euros e meio!».
A CP está um prodígio tecnológico de vender impressoras! A jactos de tinta, em esguicho, que um tipo passa-se com esta gente e com este país.
P. S. Reclamei da CP para a CP! Veio a resposta da CP, rápida, eficiente, on line, no dia seguinte. De acordo com o regulamento da CP teria de juntar bilhete impresso e pagar à CP uma «taxa de reembolso», para a CP me reembolsar! Descarrilei de vez.

A banca rota!

Há coisas que uma pessoa lê e a boca abre-se-lhe até à orelhas. Vejam este mimo de prosa: «A Associação Portuguesa de Bancos (ABP) "não está preocupada" com a vaga de assaltos a instituições bancárias, garante João Salgueiro. Contudo, sublinha o presidente da APB, "o país deve estar preocupado", porque estamos perante "um problema público, um problema de polícia, um problema de criminalidade"».
Reproduzindo o espírito da notícia, a imprensa titulou «"Assaltos a bancos devem preocupar o paíse não a Banca".
Das três uma: ou o Dr. João Salgueiro se baralhou e a esta hora já se arrependeu de não se ter explicado convenientemente à imprensa, ou o jornalista tresleu o que ouviu e baralhou-se ao escrever, ou então, como diria o Dr. Alberto João Jardim no seu estilo impune de falar «está tudo grosso».
Ou então, esperem cá, ainda há pior: será que para a banca um assalto passou a ser algo de naturalmente despreocupante?
E eu que me levantei às seis da manhã para trabalhar em vez de ir ali à banca da esquina, trabuco em riste, mãos ao ar, passa para cá o taco e não te preocupes ó caixa, que o País que se incomode, que este já cá canta!

3.9.07

O infinitamente pequeno

Uma pessoa vive diariamente a angustiosa comparação entre si e os outros, entre os desejos e a realidade, entre o que está e o que é. Li hoje numa parede em Setúbal: «os nossos sonhos não cabem no vosso mundo». No milagre desta afirmação resolveu-se, na minha cansada cabeça, o nó górdio da vida. Sobeja sonho ao mundo que há para o viver. Se isto não leva um humano ao infinito, é porque há a pequenez do nosso interior irrealizado.

1.9.07

Laranjas?

Li algures que o português que se fala no Brasil é mais puro do que o que nós linguajamos na Europa, por ainda conter a base que lhes levámos no século dezasseis.
Se calhar esta minha ciência de leitura é a expressão de uma refinada estupidez, sobretudo porque há coisas naquele português de além-mar que ainda não entendo e me confundem.
Vejam o que li a propósito do combate à corrupção política brasileira: «após o deputado federal Dagoberto Nogueira Filho (PDT/MS) defender moralização da classe política, os conselheiros do Conselho Seccional da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) pregaram penas mais duras para políticos corruptos. O conselheiro Geraldo Escobar, por exemplo, apresentou a sugestão de que políticos envolvidos em corrupção fiquem, no mínimo, dois mandatos impossibilitados de concorrer a qualquer cargo eletivo. Já o conselheiro Renato Chagas sugeriu o fim do foro privilegiado em todos os níveis porque se trata da sustentação da impunidade. Enquanto o conselheiro Marco Aurélio apresentou como sugestão que, a exemplo do que ocorre com os narcotraficantes, os políticos corruptos sejam processados criminalmente e percam os bens em favor da União, mesmo no caso em que usem “testas de ferro” e “laranjas”».
Ora esta? Laranjas?!

Sentado num banco de jardim

Um Banco é uma das instituições mais sérias de um país: estão lá os dinheiros de quem os tem, as dívidas de quem vive a crédito. Para muitos, o banco é o terror nocturno da letra por pagar, a provisão do cheque que garante salários, a possibilidade de sonhar uma felicidade emprestada.
Claro que há quem viva numa servidão da gleba contemporânea, amarrado à hipoteca para o resto da vida activa. Há quem, penhorado, se lesse Bertold Brecht concordaria que «tão crime é assaltar um banco, como fundar um banco».
Agora uma coisa é certa! Na banca, não desobedecerás ao senhor teu criador!
Paulo Teixeira Pinto não aprendeu o que ensinou José Maria Escrivà de Balaguer: «no Apostolado, estás para te submeteres, para te aniquilares; não para impor o teu critério pessoal» (Caminho, 936)». Cumprirá agora uma longa penitência.